Sintomas - Calores e suores
Calores e suores
A experiência dos calores e suores na transição para a menopausa varia de uma mulher para outra. Não existe um padrão. Pode até ser uma sensação agradável, de um calor ameno, mais concentrado na cabeç
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As ondas de calor ou simplesmente sensações de calor podem incomodar ao ponto de levar a mulher a tirar o casaco ou agasalho, mesmo no frio. Por isso as americanas, muito práticas, recomendam “dress in layer” -- vista-se em camadas, para ir tirando uma peça e outra em situações inesperadas. Calores e suores podem ocorrer a qualquer hora do dia, na fase da perimenopausa, quando começam as irregularidades menstruais.
 
À medida que se aproxima o fim das menstruações, são mais freqüentes à noite, perturbando a qualidade do sono. A sensação de calor geralmente acorda a mulher, que além de sentir o desconforto às vezes chega a ficar com a roupa de dormir e os lençóis molhados de suor. Daí a denominação de suores noturnos. Os médicos classificam ambos como sintomas vasomotores. A sensação física de aquecimento moderado ou intenso é resultado da dilatação repentina dos vasos sanguíneos. O calor perdido em alguns minutos pelo corpo, nessa onda dilatadora, pode produzir frio ou suor intenso, em seguida.
 
A frequência dos fogachos, como se dizia antigamente, varia de uma ou duas ocorrências por semana até duas por hora. A duração média de cada episódio, segundo inúmeros estudos, é de quatro minutos. A máxima é de dez minutos. A aceleração dos batimentos cardíacos, ou palpitações costumam acompanhar os sintomas. Algumas mulheres chegam a sentir enjôo, dor de cabeça e tontura depois que eles passam. As sensações de fadiga, irritabilidade e ansiedade são consequências mais comuns da experiência dos fogachos, no cotidiano.
 
Não se sabe ao certo, até hoje, qual a origem dos sintomas, a não ser que têm a ver com o desequilíbrio na produção dos hormônios femininos e os ciclos anovulatórios (sem ovulação) que encerram o período reprodutivo feminino. Quando não há ovulação os níveis de estrogênios ficam elevados e a produção de progesterona cai por completo. A alteração no equilíbrio desses dois hormônios antes e depois da última menstruação afetaria o funcionamento do hipotálamo, o centro que regula nossa temperatura corporal. Daí o uso da reposição hormonal para acabar com os sintomas vasomotores. Existe uma variedade de medicamentos à base de fitohormônios, extraídos de plantas com propriedades hormonais como a soja, o yam mexicano, o trevo vermelho, mas eles funcionam quando os sintomas não são muito intensos. Os fitohormônios são menos potentes do que os hormônios sintéticos da terapia hormonal.
 
A intensidade e frequência das ondas estão associadas a fatores que podem ser, até certo ponto, controlados, por exemplo, com  dieta, estilo de vida e controle do estresse emocional. Comer muita fibra e produtos  derivados da soja e evitar o consumo de álcool, de alimentos condimentados ou à base de cafeína ajuda a conter a manifestação dos sintomas. Fazer atividade física aeróbica diariamente é fundamental para conviver melhor com eles. Evitar situações de estresse emocional frequente, por excitação, medo ou ansiedade, é providencial para reduzir a frequência dos calores.
 
Estudos recentes dão conta de que o desequilíbrio hormonal da menopausa afetaria a produção de endorfinas, substâncias químicas que controlam o humor e a sensação de prazer. E as emoções descontroladas são outro fator de risco para a experiência aumentada dos calores. O uso de substâncias antidepressivas tem se mostrado eficaz, em muitos casos, para neutralizar esse circuito de estímulos cerebrais negativos e atenuar os calores.
 
Alarme falso
 
É comum a incidência de hipotireoidismo em mulheres de mais de 40 anos e a deficiência costuma dar origem a alterações emocionais e sintomas físicos parecidos com os calores da menopausa. O mau funcionamento da glândula tireoidiana também pode causar sensação de melancolia e desânimo acentuado.
 
Uma pesquisa feita pela Associação Americana dos Endocrinologistas Clínicos mostra que nos Estados Unidos 1 em cada 4 mulheres examinadas por causa de queixas relacionadas com a aproximação da menopausa recebem diagnóstico de hipotireoidismo despois de fazer os exames. A glândula da tireóide regula o metabolismo do corpo todo, do funcionamento do coração, cérebro e rins ao sistema reprodutivo, resistência muscular e apetite.
 
A incidência de hipotireoidismo aumenta com a idade e pode confundir as mulheres em fase de transição para a menopausa, alerta o ginecologista César Eduardo Fernandes, presidente do Conselho Científico da Sobrac (Sociedade Brasileira do Climatério).
 
O médico recomenda a toda que continuam com os sintomas de suores e calores ou de humor alterado apesar de medicadas com algum tipo de reposição que façam o teste de TSH para avaliar o funcionamento da tireóide. O exame de sangue é suficiente para revelar a deficiência hormonal e o tratamento, que consiste na reposição do hormônio tireoidiano, resolve o problema.