Outras Mudanças - Desidratação da pele
Alterações estruturais profundas
Os efeitos sobre a pele da queda nos níveis de estrogênio, a partir da menopausa, são visíveis e drásticas. A falta do hormônio provoca redução do fluxo de sangue pelos vasos e também diminui a capacidade de retenção de água pelas células. O resultado é a desidratação do tecido, acelerada
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A. Epiderme: camada superficial da pele. Ela não tem vascularização própria e depende do contato com a derme para obter oxigênio e nutrientes e se manter saudável.
 
B. Derme: é a camada vital da pele. Ela possui milhares de terminações nervosas especializadas nas sensações de tato, pressão, frio, calor e dor; abriga os folículos pilosos, as glândulas sebáceas e as células de ataque e de defesa do sistema imunológico e aloja a vasta rede de vasos sanguíneos que controlam a pressão e, junto com as glândulas sudoríparas, regulam a temperatura do corpo.
 
Papilas Dérmicas: uma estrutura irregular, em formato de ondas ou cristas, garante o contato entre da derme com a epiderme até a menopausa. Com a queda no nível de estrogênios e aredução das fibras de colágeno essas critas achatam e reduz drásticamente a superfície de contato entre a derme e a epiderme. Sem a mesma oferta de nutrientes a pele fica mais fina,seca e frágil.
 
 
A pele está sujeita a sofrer alterações estruturais profundas com a chegada da menopausa. Para se manter intacto o órgão depende fundamentalmente do estrogênio estradiol, que é produzido pelos ovários. Como a produção deste hormônio cai pela metade com o fim dos ciclos hormonais, diminui a quantidade das células denominadas fibroblastos, responsáveis pela produção das fibras de elastina e de colágeno que compõem a trama de sustentação da pele, como mostra a figura acima. A mudança provoca a redução do fluxo de sangue pelos vasos e diminui a capacidade de retenção de água pelas células, além de desacelerar a atividade das glândulas sebáceas e sudoríparas, que produzem a oleosidade que protege a epiderme como um filtro natural. Sem a mesma irrigação e hidratação a pele fica seca, enrugada e flácida, quebradiça e fina e muito mais sensível a escoriações e aos efeitos da exposição solar. Pequenos cortes levarão tempo para cicatrizar e as manchas irão proliferar com rapidez.Sem a mesmo nível de estímulo hormonal ela perde colágeno, após o fim da menstruação.
 
A quantidade de fibras de colágeno diminui a um ritmo de 2,1% ao ano, logo após a menopausa. A velocidade do processo varia dependendo da presença de fatores de risco como o tempo a que a pele foi exposta ao sol ao longo da vida e o hábito do tabagismo. O cigarro pode aumentar de duas a três vezes o número de rugas nos homens e mulheres de cor branca de meia idade, ao reduzir muito a irrigação sanguínea das camadas que formam a pele.
 
A pele do rosto pode ficar mais oleosa e sujeita à acne ao longo da perimenopausa, o período de transição entre a fase reprodutiva feminina e o depois dela. Tal efeito é resultado do desequilíbrio hormonal típico dessa fase, que favorece a predominância de hormônios androgênios na circulação. Além de tornar o rosto mais oleoso, os androgênios ainda são responsáveis pelo aparecimento de pêlos grossos sob o queixo e nas laterais da face, tão comum nas mulheres em idade de menopausa.
 
Pesquisas recentes, feitas com mulheres de 30 anos em diante, mostram que o processo de envelhecimento cutâneo começa por volta dessa idade mas intensifica-se entre os 40 e 50 anos, exatamente a época de aparecimento dos primeiros sintomas da menopausa. Nos homens, o processo acontece bem mais tarde. A diferença chega a ser de quinze anos porque as mulheres têm menos quantidade de colágeno no corpo, comparativamente aos homens.
 
A síntese de fibras de colágeno pode ser estimulada com a reposição hormonal depois da menopausa, mostram estudos feitos no Brasil, cujos resultados coincidem com os dados de estudos internacionais sobre o assunto. As primeiras mudanças são observadas após três semanas de terapia, informa a médica Edna Marina Cappi Maia, que estudou os efeitos da terapia de reposição hormonal sobre a pele em 40 pacientes na pós-menopausa. Segundo ela, diminui o processo de fragmentação das fibras de colágeno e elastina, os folículos pilosos voltam a produzir e a superfície da pele ganha uma aparência mais hidratada. Os efeitos são progressivos ao longo dos seis primeiros meses de tratamento. Ao fim desse período, o processo de melhoria estaciona mas a pele mantém o estado de recuperação atingido.
 
Daí em diante, só a prática de exercícios físicos aeróbicos e musculares pode impedir a gravidade de agir com toda sua força sobre o tônus e a aparência do tecido cutâneo. O estilo de vida sedentário, após os 50 anos tornam a musculatura flácida e deixam a pele com aspecto senil, muito rapidamente.