Sintomas - Falta de tesão
O desejo sexual da mulher madura
A menopausa não acaba com o tesão, necessariamente. Mas manter acesa a chama do desejo passa a ser mais delicado nessa idade. São tantas as mudanças no corpo, físicas, emocionais, hormonais que, haja
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Uma em cada seis mulheres experimenta maior desejo sexual durante a perimenopausa, fase que antece a última menstruação, relatam os ginecologistas. A explicação é orgânica. A produção de estrogênios desequilibra nessa fase da transição mas os ovários e glândulas supra-renais continuam produzindo os hormônios andrógenos (masculinos), que estimulam a libido. O fim da menstruação e a redução considerável da produção de estrogênios, infelizmente, muda esse quadro. 
 
A vagina fica mais seca com a menopausa, seu revestimento interior perde espessura e a penetração pode ser dolorosa e desconfortante.A TRH bem como o uso de cremes à base de estrogênio, conhecidos como ovestrion, promestriene ou colpotrofine, aumentam o fluxo sanguíneo na vagina e melhoram a sua lubrificaçao. Mas a terapia de reposição combinada de estrogênios e progestogênios, indicada para mulheres que têm o útero intacto, pode afetar a libido durante o tratamento. Quando isso ocorre, os médicos costumam prescrever doses mínimas de testosterona para melhorar o desejo sexual, embora admitam que a sexualidade feminina não depende apenas de hormônios. Metade do caminho para o prazer no ato sexual é resultado do "clima" de entendimento existente entre o casal e do carinho mútuo. "A menopausa em si não é responsável pela queda do interesse sexual das mulheres de meia idade, apesar de ser esta uma das queixas frequentes dessa fase", diz a médica ginecologista Luciana Nobile, autora do livro Sexualidade na Maturidade (Brasiliense, SP-2002 ). Os sintomas desconfortáveis, como ondas de calor e suores noturnos, podem afetar o desejo, ao comprometer o sono e a disposição da mulher, ela afirma. Mas os problemas decorrentes do envelhecimento, como o desgaste físico, associado a dificuldades no relacionamento com companheiros ou maridos interferem muito mais na sexualidade feminina do que a menopausa.  
 
O declínio na produção de estrogênios não é a principal causa de baixa de libido na menopausa?
Dra. Luciana Nobile: As mulheres tendem a achar que sim, mas ao conversar com as pacientes no consultório eu vejo uma conjunção de fatores interferindo na expressão do desejo sexual. É a relação mal resolvida com o companheiro, o estresse emocional diante das mudanças que começam a acontecer no corpo, eventualmente problemas de ordem material, por exemplo a falta de trabalho e de dinheiro. Imagem 
 
Elas não associam essas mudanças com a perda do tesão?  
Dra. Luciana Nobile: Pois é, em geral não entendem o que está acontecendo e atribuem a falta de tesão à menopausa. Quando você vai ver estão deprimidas por causa da idade, porque estão envelhecendo, tendo problemas em casa. E nessa idade a mulher fica mais sensível, mesmo, a tudo de ruim que lhe acontece. E alguém deprimido realmente não consegue manter o desejo sexual. 
 
E o que você recomenda para suas pacientes que aparecem com este tipo de queixa? 
Dra. Luciana Nobile: Não existe uma receita, cada caso é único. Algumas mulheres tem de fazer a terapia de reposição hormonal para sair dessa condição, outras precisam de androgênios. Para as pacientes muito deprimidas recomendo a ida a um clínico que entenda de antidepressivos ou, quando necessário, ao psiquiatra ou psicoterapeuta. 
 
A TRH apenas não resolve esse problema de redução do desejo sexual? 
Dra. Luciana Nobile: Não. Ao contrário, ela pode inclusive interferir na produção de androgênios e diminuir a libido da mulher em tratamento. Quando isso ocorre, em geral, recomendo doses baixas de androgênio por via transdérmica para reverter o sintoma. 
 
Os androgênios devem ser usados por quanto tempo? 
Dra. Luciana Nobile:Costumo receitar por fases, para uso durante alguns meses. Gosto de receitar um androgênio de origem francesa, em gel, que não existe aqui. Acho a via transdérmica mais segura e recomendo doses baixas para evitar efeitos colaterais característicos desses hormônios masculinos, como o crescimento de pelos ou as mudanças no tom da voz. O androgênio transdérmico que temos no mercado brasileiro, em adesivo, tem dosagem maior e não pode ser cortado na metade. 
 
Além do tratamento com medicamentos, o que mais essa mulher poderia fazer para melhorar o ânimo e a libido, na sua opinião?
Dra. Luciana Nobile: Os cuidados com o corpo, por meio de dietas saudáveis e da prática regular de exercícios, podem melhorar muito a auto-estima da mulher na menopausa e, consequentemente, aumentar o seu interesse sexual. Ter essa preocupação com o corpo e o bem estar, a meu ver, é fundamental. Quando existem problemas no relacionamento do casal, recomendo a minhas pacientes, sempre que possível, que procurem ajuda de um profissional. A psicoterapia, feita por ambos, em conjunto ou isoladamente, aproxima o casal e ajuda a restaurar o interesse pelo relacionamento sexual.