Outras Mudanças - Incontinência urinária
Os tipos de incontinência
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A micção frequente ou a perda de urina por esforço e a incontinência urinária, que pode aparecer durante a menopausa, estão associadas ao enfraquecimento da musculatura pélvica, que sustenta nossos órgãos. Sua origem é a falta de exercício ou a malhação excessiva incorreta. Na Europa, 55% das mulheres atletas sofrem com a perda involuntária de urina por causa da prática física, informam estudos da Associação Européia de Urologia.
 
Incontinência de esforço, incontinência de urgência e perda urinária são os três tipos de disfunção que podem aparecer ao longo da menopausa. A primeira é a mais comum. A mulher tosse, espirra ou dá uma risada mais forte e o líquido vaza. Na incontinência de urgência, a vontade de xixi é tão forte que não dá tempo de chegar ao banheiro. Tanto o hábito da micção frequente quanto adiar muito tempo a necessidade podem contribuir para a disfunção urinária. A reduçao dos níveis de estrogênio na pós-menopausa acentua o problema em mulheres que não exercitam a musculatura pélvica. As fibras de colágeno (moléculas de protéinas) responsáveis pela elasticidade e firmeza dos tecidos da região diminuem em quantidade, tamanho e qualidade sem os hormônios. A falta de exercícios compromete ainda mais a elasticidade e firmeza desses tecidos musculares que sustentam os órgãos internos da pelves, e o resultado pode ser o prolapso da bexiga (fenômeno popularmente chamado de bexiga baixa) e o enfraquecimento dos músculos esfincterianos. 
 
Existe um teste de Avaliação Funcional do Aparelho Pélvico, o AFA, que define o nível de incontinência com uma pontuação. As terapias para corrigir a disfunção incluem desde o treinamento da bexiga, apoiado por exercícios, ao uso de estímulos elétricos ou de pesos internos, na vagina, para fortalecer o assoalho pélvico, dependendo do grau de incontinência. 
 
Cinesioterapia é o termo técnico do conjunto de exercícios para fortalecimento do assoalho pélvico, recomendados a todas as mulheres em idade de menopausa. Eles envolvem movimentos simples, de contração e distenção da musculatura anal, que devem ser repetidos várias vezes ao longo do dia. Outras duas atividades que fortalecem particularmente a musculatura pélvica são a yoga e o balé. A prática de atividade física que combine exercícios aeróbicos e de musculação, feita com a pelves posicionada corretamente, é a única forma capaz de reverter esse processo de flacidez, que leva `a perdas urinárias, a longo prazo.
 
A musculatura do assoalho pélvico tem a forma de um funil e é composto de músculos de nomes esdrúxulos como elevador do ânus e coccígeos. A vagina, a uretra e o reto atravessam essa trama fechada de músculos para atingir a superfície. As funções fisiológicas são reguladas por músculos esfincterianos também localizados no assoalho. Os feixes musculares saem do osso sacro e do cócxi e fecham a cavidade pélvica sustentando assim os órgãos internos. Quando o osso da bacia e da coluna vertebral estão mal posicionados, essa musculatura cede, ou seja, torna-se flácida, o que altera a posição dos órgãos dentro da pelves. O resultado, com o tempo, é a incontinência. Por isso que os fisioterapeutas recomendam a correção da postura quando tratam de problemas na região. É fundamental manter estável a posição da pelves ao longo da vida e, principalmente, na menopausa.
 
A masturbação ou a prática de relações sexuais com orgasmo, no mínimo três vezes por semana, pode resolver o desagradável sintoma de incontinência urinária de esforço que afeta as mulheres na menopausa. A conclusão é de uma pesquisa feita com 315 mulheres na faixa etária entre 50 e 60 anos -- idade média de 53 anos --, atendidas no ambulatório de ginecologia do Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo, o HSPM-SP. Clique aqui para saber mais. Os ginecologistas já sabiam que o orgasmo frequente ajuda a manter a elasticidade do canal vaginal e melhora a saúde genital das mulheres em idade de menopausa. O estudo do HSPM, conduzido por uma equipe multiplicinar do setor de uroginecologia, revela agora que tal prática sexual pode resolver o problema da incontinência urinária de esforço e até evitar cirurgias de correção, quando associada à mudanças de hábitos fisiológicos e de postura.
 
A fisioterapeuta Adriana Gimenez e o ginecologista João Baptista dos Santos Júnior, dois representantes dessa equipe, explicam por que o orgasmo: "Nós tínhamos de achar um exercício leve, de estimulação da musculatura pélvica, para ajudar a recuperação de mulheres recém-operadas na região pélvica. E a masturbação acompanhada de orgasmo era uma atividade que elas poderiam fazer dentro dessa exigência", diz a fisioterapeuta Adriana Gimenez. "Os espasmos que o orgasmo produz a partir da região genital difundem-se em contrações por todo o assoalho pélvico, aumentando a irrigação sanguínea dessa musculatura", esclarece Gimenez. O exercício também leva à liberação de beta-endorfinas, que impedem a atrofia do assoalho pélvico, acrescenta a fisioterapeuta. O fortalecimento da musculatura pélvica é essencial para manter os órgãos internos femininos, inclusive a bexiga, em seus devidos lugares e impedir a incontinência urinária. 
 
A equipe multiplicinar do HSPM resolveu testar o novo método de manipulação genital, como definiu o recurso à masturbação, na tentativa de melhorar a recuperação das pacientes submetidas à cirurgias para amarração do assoalho pélvico. O procedimento era muito comum no serviço mas apresentava alto índice de falha na época -- início de 2003. "As mulheres eram operadas, levantavam a musculatura e com o tempo ela voltava a ceder, por falta de exercícios", diz Gimenez. Com isso, um terço das operadas acabava voltando ao hospital para refazer a cirurgia.
 
Antes do estudo, a equipe do serviço de uroginecologia recorria ao método de Kegel para tentar recuperar a musculatura pélvica dessas pacientes. O método de exercícios de Kegel envolve a contração da musculatura do assoalho pélvico por alguns minutos, várias vezes ao dia, em posições diferentes (sentada, deitada e de pé). "As mulheres começavam bem a prática mas não lembravam de repetir os exercícios em casa. Não incorporavam o hábito", diz Gimenez. Daí a volta da incontinência.
 
O HSPM atende 3000 mulheres por ano com queixa de incontinência urinária de esforço. Elas tossem, e o xixi vaza. Por causa do distúrbio a maioria não vive sem usar absorventes. "Resolvemos tentar que essas mulheres desenvolvessem a conscientização corporal sobre a importância dessa musculatura pélvica, por meio da prática de manipulação genital, ou seja, da masturbação seguida de orgasmo. E o resultado revelou-se extremamente eficaz, uma vez que o exercício da masturbação seguida de orgasmo é prazerosa, o que estimula nas mulheres a vontade de repetir com mais frequência a prática.
A equipe de profissioais do serviço de uroginecologia selecionou 315 mulheres para participar do estudo, que durou seis meses, de fevereiro a agosto de 2003. Do total, 17 estavam em fase de recuperação da cirurgia do assoalho pélvico, e as restantes, em avaliação preparatória para a operação. Elas participaram de algumas reuniões com a equipe, ouviram palestras sobre a importância da manipulação genital, seus efeitos na musculatura e como atingir o orgasmo vaginal ou clitoriano a partir da masturbação.
 
A dificuldade inicial que o tema suscitava, especialmente entre as mulheres que não tinham o hábito de tocar-se, foi superada com essas reuniões e palestras preparatórias, segundo Adriana Gimenez. Além de participar das reuniões, as pacientes foram orientadas pela equipe ténica quanto aos hábitos fisiológicos adequados ao controle da incontinência e a dieta adequada para manter o peso e garantir o bom funcionamento dos intestinos. 
 
No final deste período, um terço das mulheres que tinham indicação para cirurgia estavam recuperadas da incontinência e foram dispensadas do procedimento. As pacientes do pós-operatório foram curadas. Confira a seguir as principais recomendações do serviço de uroginecologia do HSPM para fortalecer a musculatura do assoalho pélvico:
 
Fazer xixi de três em três horas para evitar que a bexiga pese sobre a musculatura pélvica;
Preferir a postura semi-agachada ao usar o toilete em vez de sentar-se no vaso ajuda a fortalecer essa musculatura;
Evitar o uso de absorventes para perceber eventuais vazamentos e redobrar o controle da frequência das micções;
Enriquecer a dieta com fibras, de vegetais e grãos integrais, para evitar a formação de fezes duras, é providencial para diminuir o peso do intestino sobre o assoalho pélvico e evitar a distensão dessa musculatura.